terça-feira, 28 de junho de 2011
Perigo, Amor!
Pois sendo assim será sempre escravo das expectativas do outro. Terá sempre que cumprir o ritual, sempre os mesmos elogios, a mesma bajulação a mesma escravidão. Se por acaso sair do lugar do qual todos estão acostumados a te olhar, mesmo que seja para respirar o seu último ar; chicotadas irá levar. Se prepare para ouvir que foi um traidor, que nunca sentiu dor, que se levantou para fugir e armar uma emboscada contra a querida pátria amada. Será morto com 13 tiros na cabeça e os assassinos serão heróis condecorados, aplaudidos e temidos. Seu tumulo será de chumbo para que não contamine a terra, jogado no mar para que ninguém encontre. Milênios apos sua morte os escafandristas irão vasculhar o seu corpo, encontrarão na mesa de necropsia um coração insuficiente, um derrame pulmonar e sua falta de ar.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Dialogo entre duas mulheres, uma colagem a partir de Caio Fernando de Abreu
Clara: - ...ou me quer e vem, ou não me quer e não vem. Mas que me diga logo pra que eu possa desocupar o coração. Avisei que não dou mais nenhum sinal de vida. E não darei. Não é mais possível. Não vou me alimentar de ilusões. Prefiro reconhecer com o máximo de tranqüilidade possível que estou só do que ficar a mercê de visitas adiadas, encontros transferidos... Eu ia sentir uma baita falta dele. Mas eu disse que não, eu disse depressa que não... Anyway, que aconteça, que deixe marcas boas ou más, lembranças, tristes ou alegres, n'importe quoi. Que deixe material para o baú da memória, penso sempre assim, até nas maiores saias justas.
Anna: - Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo.
Clara: - Mas é preciso passar por uma porção de besteiras até chegar ao que interessa.
Anna: - Quando alguém, no plano real, toma forma, a gente imediatamente projeta toda aquela emoção presa na garganta do sonho. E fatalmente se fode.
Clara: - Amanhã, depois, acontece de novo, não fecho nada, não fechamos nada, continuamos vivos e atrás da felicidade, a próxima vez vai ser ainda quem sabe mais celestial que desta, mais infernal também, pode ser, deixa pintar. Se tiver aprendido lições (amor é pedagógico?), até aproveito e não faço tanta besteira. Mas acho que amor não é cursinho pré-vestibular. Ninguém encontra seu nome no listão dos aprovados. A gente só fica assim. Parado olhando a medida do Bonfim no pulso esquerdo, lado do coração e pensando, pois é, vejam só, não me valeu.
Anna: - Quem chora menos vive menos.
Autor: - Por alguns momentos, apenas alguns momentos, é como se houvesse assim uma espécie de esperança, de possibilidade de esperança...
Anna: - Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo.
Clara: - Mas é preciso passar por uma porção de besteiras até chegar ao que interessa.
Anna: - Quando alguém, no plano real, toma forma, a gente imediatamente projeta toda aquela emoção presa na garganta do sonho. E fatalmente se fode.
Clara: - Amanhã, depois, acontece de novo, não fecho nada, não fechamos nada, continuamos vivos e atrás da felicidade, a próxima vez vai ser ainda quem sabe mais celestial que desta, mais infernal também, pode ser, deixa pintar. Se tiver aprendido lições (amor é pedagógico?), até aproveito e não faço tanta besteira. Mas acho que amor não é cursinho pré-vestibular. Ninguém encontra seu nome no listão dos aprovados. A gente só fica assim. Parado olhando a medida do Bonfim no pulso esquerdo, lado do coração e pensando, pois é, vejam só, não me valeu.
Anna: - Quem chora menos vive menos.
Autor: - Por alguns momentos, apenas alguns momentos, é como se houvesse assim uma espécie de esperança, de possibilidade de esperança...
Zarpando dessa madrugada!!!
Fui!
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Não te amo mais
As velhas poesias voltam melhores,
mas com muito a se arrumar.
Não te amo mais
Estarei mentindo se disser que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza de que
Nada foi em vão.
Sei dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer nunca que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade:
É tarde demais…
PS. Agora leia o poema de baixo para cima!!!
Amor, estou indo embora!
Estou indo embora a trabalho.
Estou indo embora para outro planeta onde eu não possa mais te ver.
Onde eu possa esquecer suas letras, suas mãos.
Estou indo, para não te ver quando nosso amor, Amor,
começar a cair...Estou.... porque tenho a certeza do
que você ainda sente e ainda poderei te guardar...
Estou indo embora com os olhos marejados, para não sofrer.
Estou indo embora sentindo sua falta, como nunca senti antes, como se
me tivessem arancado o coração...
E não duvide nunca...Eu te amei.
12:53
mas com muito a se arrumar.
Não te amo mais
Estarei mentindo se disser que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza de que
Nada foi em vão.
Sei dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer nunca que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade:
É tarde demais…
PS. Agora leia o poema de baixo para cima!!!
Amor, estou indo embora!
Estou indo embora a trabalho.
Estou indo embora para outro planeta onde eu não possa mais te ver.
Onde eu possa esquecer suas letras, suas mãos.
Estou indo, para não te ver quando nosso amor, Amor,
começar a cair...Estou.... porque tenho a certeza do
que você ainda sente e ainda poderei te guardar...
Estou indo embora com os olhos marejados, para não sofrer.
Estou indo embora sentindo sua falta, como nunca senti antes, como se
me tivessem arancado o coração...
E não duvide nunca...Eu te amei.
12:53
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
domingo, 17 de outubro de 2010
Tiro e queda no coração
No meu quarto não cabe seus poemas.
Seus poemas são cheios de letras tortas que seduziram o porteiro do meu prédio.
E o meu quarto é muito bagunçado de coisas inúteis.
O porteiro do meu prédio limpa a calçada pra você passar.
Eu nunca estou pronto para jogar pela janela todos os meus livros sobre vermes.
E você passa derramando flores para enfeitar as ruas e as construções e todas as coisas
esdrúxulas que inventaram.
Eu fico no meu quarto ouvindo tango argentino. :/
Enquanto você se esbalda com o samba sujo do rádio da pastelaria.
Eu escrevo um soneto inglês as escondidas.
Você me trás um pagode de amores de Chico.
Meus sentimentos são biquadrados.
Seu coração é BBB. Onde você achou?
E por falar nisso lhe inventei versos que serviram de poema.
Como sempre você esnoba a inteligência das outras moças.
Seus poemas são cheios de letras tortas que seduziram o porteiro do meu prédio.
E o meu quarto é muito bagunçado de coisas inúteis.
O porteiro do meu prédio limpa a calçada pra você passar.
Eu nunca estou pronto para jogar pela janela todos os meus livros sobre vermes.
E você passa derramando flores para enfeitar as ruas e as construções e todas as coisas
esdrúxulas que inventaram.
Eu fico no meu quarto ouvindo tango argentino. :/
Enquanto você se esbalda com o samba sujo do rádio da pastelaria.
Eu escrevo um soneto inglês as escondidas.
Você me trás um pagode de amores de Chico.
Meus sentimentos são biquadrados.
Seu coração é BBB. Onde você achou?
E por falar nisso lhe inventei versos que serviram de poema.
Como sempre você esnoba a inteligência das outras moças.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Coração;
cheguei em uma fase em que minha cabeça; por vezes oca, produz um poema por minuto para você!
Não que eu te ame, mas é que agora, você tomou um lugar na minha vida, e quem sabe no meu coração que me faz sentir uma falta inexplicável da sua presença.
Eu sinto falta, todos os dias, de olhar nos teus olhos e ouvir a sua voz.
Eu sinto uma falta pela metade imensurável de um não sei o "que" que eu só encontro na sua companhia.
É aquela coisa que me dá de ficar sem saída, de ficar "desrumado" no fim do batente. E eu começo a achar cada vez mais, e intenso, que o seu samba é tão bom quanto eu duvidava e que os dias de "não te vejo" são tão "vazios" quanto os dias antigos.
Mas é claro que eu não vou te perturbar, que eu não vou dizer te amo, que eu não vou mais te visitar, que eu não vou esquecer, que eu vou te esquecer.
É tão claro quanto a sua falta.
Não que eu te ame, mas é que agora, você tomou um lugar na minha vida, e quem sabe no meu coração que me faz sentir uma falta inexplicável da sua presença.
Eu sinto falta, todos os dias, de olhar nos teus olhos e ouvir a sua voz.
Eu sinto uma falta pela metade imensurável de um não sei o "que" que eu só encontro na sua companhia.
É aquela coisa que me dá de ficar sem saída, de ficar "desrumado" no fim do batente. E eu começo a achar cada vez mais, e intenso, que o seu samba é tão bom quanto eu duvidava e que os dias de "não te vejo" são tão "vazios" quanto os dias antigos.
Mas é claro que eu não vou te perturbar, que eu não vou dizer te amo, que eu não vou mais te visitar, que eu não vou esquecer, que eu vou te esquecer.
É tão claro quanto a sua falta.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
O antigo bairro das flores
A minha cidade tem duzentos anos, nem todos tem o privilégio de ter uma cidade assim. Ela tem flores e tem história, em um tempo em que as pessoas já não gostam mais de flores e não lembram mais história. As flores ficaram no nome e despetalaram assim como os primeiros amores que surgiram nas calçadas do colégio de freiras em frente a igreja matriz. Fez seus anos dourados, quando soerguia-se uma capital ao seu redor.
A minha cidade tinha um século e meio e muitos cinemas. Cine eldorado, cine rio, cine campinas onde se ia com o primeiro namoro, onde se via o primeiro galã americano.
Tinha um estádio e heróis da bola com charanga e mascote. A capital cresceu construindo seus muros, suas grades seus prédios com condomínios, com cercas elétricas, sem bênçãos de padre pelágio, sem gol, sem colégio de menininhas, sem amores escondidos, sem praça, sem garotos de lambreta, sem portas abertas, sem imigrantes, sem história...
E nos duzentos anos de minha cidade eu fui ao colégio freiras, ouvi quem presenciou sua construção, comi salgadinhos a beça.
E nos duzentos anos de minha cidade foi uma festa que só vendo, as gerações primeiras não traíram seu berço e lá estavam em peso com as gerações últimas que perdidas se encontravam com o nosso jornal, com o livro de nossa história, com a orquestra sinfônica, com a quadrilha profissional, com a melhor pamonha do mundo.
E lá teve cantores dos bons pra dedeu. Para comemorar uma paixão nada se faz melhor... e como é bom descobrir cantorias e mastigar letras...
E lhes digo é imprescindível: achar um jeito secreto penetrar no concreto...
Nos duzentos anos de minha cidade eu fui ao show do Pádua. Eu o descobri. Que show!!
A minha cidade tinha um século e meio e muitos cinemas. Cine eldorado, cine rio, cine campinas onde se ia com o primeiro namoro, onde se via o primeiro galã americano.
Tinha um estádio e heróis da bola com charanga e mascote. A capital cresceu construindo seus muros, suas grades seus prédios com condomínios, com cercas elétricas, sem bênçãos de padre pelágio, sem gol, sem colégio de menininhas, sem amores escondidos, sem praça, sem garotos de lambreta, sem portas abertas, sem imigrantes, sem história...
E nos duzentos anos de minha cidade eu fui ao colégio freiras, ouvi quem presenciou sua construção, comi salgadinhos a beça.
E nos duzentos anos de minha cidade foi uma festa que só vendo, as gerações primeiras não traíram seu berço e lá estavam em peso com as gerações últimas que perdidas se encontravam com o nosso jornal, com o livro de nossa história, com a orquestra sinfônica, com a quadrilha profissional, com a melhor pamonha do mundo.
E lá teve cantores dos bons pra dedeu. Para comemorar uma paixão nada se faz melhor... e como é bom descobrir cantorias e mastigar letras...
E lhes digo é imprescindível: achar um jeito secreto penetrar no concreto...
Nos duzentos anos de minha cidade eu fui ao show do Pádua. Eu o descobri. Que show!!
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